Hoje, ele é diagnosticado com autismo leve, Síndrome de Gilles de la Tourette e Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). O diagnóstico só veio aos 10 anos, um atraso significativo nas formas de tratamento que ele precisava. Aos poucos, consegui entender por que ele se jogava no chão, os motivos de tantos gritos, e o incômodo extremo com certas roupas ou alimentos.
Vivo o autismo todos os dias; temos fases muito tranquilas, mas também enfrentamos longos períodos de dificuldade. Há poucos meses, ele decidiu não comer mais nenhum alimento que tivesse açúcar. Isso o levou a um estado de anorexia, onde perdeu 16kg. Ele entendeu, de maneira literal, que o açúcar fazia mal após ouvir uma conversa durante nossos cafés da manhã. Esse entendimento literal prejudicou sua saúde por meses e, nesse processo, ele voltou a apresentar tiques motores e vocais.
Depois de aumentarmos a dosagem da medicação e entrarmos com muitos diálogos com ele, ele conseguiu compreender e voltou a se alimentar melhor. Cada momento é uma fase diferente, podendo ser super calma ou extremamente agitada, como o movimento do mar. Quero aproveitar para comentar que o autismo leve não tem nada de leve; é tão complicado quanto os outros em sua forma de sentir. Não podemos achar que, por ser leve, ele deve ser entendido de forma singela.
Falando em fases difíceis, com cerca de 7 ou 8 anos ele me perguntava por que ele tinha manias, por que precisava tocar na parede inteira antes de sair do quarto ou do ambiente onde estava. Por que ele tinha que fazer aquilo? Ele me perguntava em lágrimas.
Conseguem compreender o quão difícil é ter um autismo leve?
A fase mais longa do momento são os tiques faciais e vocálicos, diagnosticados como Síndrome de Tourette. Este ele nunca perdeu ou deixou de fazer com qualquer tratamento. Existem fases em que os tiques são menos intensos, mas depende muito.
Uma atenção especial e característica dele são as falhas na coerência central, que fazem com que ele não tenha a mesma percepção que tipicamente temos.
E o hiperfoco é intenso. Hoje está mais tranquilo, mas às vezes são piadas ou trocadilhos que ele estudou sabiamente para aprender a fazer e agora faz o tempo todo. Todo, todo, todo.
Ele ama desenhar e desenha como ninguém. Ele é um menino extremamente esperto e, quando soube do diagnóstico, me comentou que ia mostrar para todos que quem tem autismo consegue fazer tudo como todo mundo consegue.
Comentários
Postar um comentário